segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Copa América 1975: Brasil derrotado por sua própria soberba

A Copa América de 1975 foi a primeira a ser chamada assim, por este título que passou a ser conhecida a partir de então, já que até os anos 1960 a competição se chamava Campeonato Sul-Americano. Ela foi realizada inicialmente de maneira itinerante, ou seja, sem uma sede fixa. Naquele ano de 1975, o Brasil, para poupar jogadores, formou sua seleção tendo como base a times mineiros, e mandou seus jogos em Belo Horizonte. Ainda assim, a seleção quase chegou à final, não fosse pelo regulamento esquisito da competição.

O Brasil vinha de uma ótima campanha na primeira fase, em um triangular contra as seleções da Argentina e da Venezuela: venceu todas as suas quatro partidas de turno e returno (inclusive da Argentina, em Santa Fé, por 1 a 0) e chegou às semifinais com autoridade. O primeiro de cada um dos três grupos se juntava ao Uruguai, que tinha vaga garantida, na disputa das semi-finais.

Classificado, o Brasil encararia o Peru, que desbancara Chile e Bolívia. A seleção peruana era muito competitiva. Liderada por Teófilo Cubillas, craque do Alianza Lima e tido como maior jogador peruano de todos os tempos (em 1970, o Peru já mostrava força ao 'roubar' a vaga da Argentina no Mundial do México e chegar às quartas de final da Copa do Mundo sob comando do brasileiro Didi).

Na Copa América de 75, o treinador armou uma Seleção Brasileira formada por jogadores de clubes de Minas Gerais. Ela contava com o goleiro Raul, o lateral Nelinho, o tricampeão mundial Wilson Piazza, o atacante Palhinha e o experiente Dirceu Lopes, e foi reforçada pelos zagueiros Luís Pereira, do Palmeiras; Amaral, do Guarani de Campinas; pelo meia Geraldo, do Flamengo, e pelo atacante Roberto Dinamite, do Vasco. O técnico era Oswaldo Brandão, gaúcho radicado em São Paulo. Uma equipe quase nacional, enfim, como exigia a Confederação Sul-Americana.

Seleção Brasileira na Copa América de 1975

Na 1ª fase, o time de Oswaldo Brandão obteve duas vitórias sobre a Argentina. No Mineirão, o destaque ficou para Nelinho, que marcou os dois gols da vitória brasileira. A outra vitória ocorreu na casa do rival: o Brasil venceu por 1 a 0, gol marcado por Danival. As outras duas vitórias foram sobre a frágil Venezuela. A Seleção marcou 13 gols em quatro jogos.

Uma competição cuja conquista esteve ao alcance das mãos, mas na qual a soberba brasileira, ao não levar seus principais jogadores, desperdiçou. Para a disputa das semifinais o adversário foi o Peru e o improvável acabou ocorrendo. Por conta do pouco interesse que o torneio atraía, apenas 25 mil pessoas estiveram no Mineirão para assistir ao primeiro jogo da semi-final. O resultado foi 3 a 1 para a seleção peruana, com direito a golaço de falta de Cubillas. Restava ao time comandado por Oswaldo Brandão buscar a classificação em Lima.

Brasil x Peru no Mineirão em 1975

Por isso, o técnico decidiu reforçar a equipe com nomes como Waldir Peres, Geraldo e Roberto Dinamite. Na capital peruana, o Brasil reagiu: conseguiu fazer 2 a 0 com gols de Julio Melendez (contra) e Campos (do Atlético Mineiro). Desta forma, as duas equipes empatavam em pontos. Não havia critério de desempate ou sequer prorrogação. Por isso, ao apito final, o árbitro chamou os capitães dos dois times para o centro do campo. A vaga na final seria decidida no cara ou coroa. Por mais estranho que possa parecer, estava previsto no regulamento e foi levado adiante pela filha do presidente da Sul-Americana, o peruano Teofilo Salinas.

A moeda foi lançada ao ar e... deu Peru, que decidiria o título continental contra a Colômbia. Brasil eliminado. A Copa América ficava para a próxima. Na final, vitória dos colombianos por 1 a 0 em Bogotá e reação peruana em Lima: 2 a 0. Até a Conmebol achou demais caso o título fosse decidido novamente no cara ou coroa. Por isso, foi marcado um terceiro jogo em campo neutro: em Caracas, na Venezuela. Após vitória por 1 a 0, a geração de Cubillas deu ao Peru o título da Copa América de 1975.


A Ficha Técnica dos dois jogos:

30/09/1975 - BRASIL 1 x 3 PERU
Local: Estádio Governador Magalhães Pinto “Mineirão”, em Belo Horizonte (MG).
Público: 22.412 espectadores.
Árbitro: Miguel Angel Comesaña (Argentina). Assistentes: Carlos Robles Robles (Chile), Ramón Ivanoes Barreto Ruiz (Uruguai).
Cartão Amarelo: Ramírez.
Gols: Casaretto, aos 19; Roberto Batata, aos 54; Cubillas (falta), aos 82; Casaretto, aos 88.
BRASIL: Raul, Nelinho, Miguel, Wilson Piazza e Getúlio; Wanderley e Geraldo (Zé Carlos, aos 46); Roberto Batata, Palhinha, Roberto Dinamite (Reinaldo, aos 46) e Romeu. Treinador: Oswaldo Brandão.
PERU: Sartor, Soria (Navarro, aos 62), Meléndez, Chumpitáz e Díaz; Ojeda e Quesada; Ramírez, Casaretto, Cubillas e Oblitas. Treinador: Marcos Calderón Medrano.


04/10/1975 - BRASIL 2 x 0 PERU
Local: Estádio Alejandro Villanueva, em Lima (Peru). Público: 45.000 espectadores.
Árbitro: Arthur Ithurralde (Argentina). Assistentes: Omar Delgado Gomez Piedrahita (Colômbia), Juan Silvagno Cavanna (Chile).
Cartão Amarelo: Cubillas, Romeu, Palhinha, Wilson Piazza.
Gols: Meléndez (contra), aos 10; Campos, aos 62.
BRASIL: Waldir Peres, Nelinho, Vantuir, Wilson Piazza e Getúlio; Wanderley e Zé Carlos e Geraldo (Palhinha, aos 53); Roberto Batata, Campos (Roberto Dinamite, aos 70) e Romeu. Treinador: Oswaldo Brandão.
PERU: Sartor, Soria, Meléndez, Chumpitáz e Díaz; Quesada e Percy Rojas; Ramírez (Ojeda, aos 50), Casaretto, Cubillas e Oblitas (Ruiz, aos 58). Treinador: Marcos Calderón Medrano.

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