sábado, 7 de março de 2026

Brasil na Copa América de 1975


Em 1975 voltou a haver competição continental entre seleções na América do Sul. Mas o Brasil seguiu desdenhando da competição contra os seus vizinhos. Desde 1967 não havia o torneio continental, sendo que a última participação do Brasil havia sido em 1963, e a última presença com a Seleção Brasileira principal tinha acontecido em Buenos Aires, na primeira das duas edições disputadas em 1959. Assim, entre 1959 e 1975, em quatro edições disputadas, o Brasil não participou de uma, e nas outras três jogou com uma equipe seletiva restritiva.

Em 1975 a competição foi remodelada. Nas 29 edições de Campeonato Sul-Americano disputadas entre 1916 e 1967 o torneio havia sido sempre em formato de pontos corridos, com todos se enfrentando contra todos. A partir dali o formato passou a ser similar ao de disputa da Copa do Mundo, com fase de grupos seguida por mata-mata, e exatamente por esta mudança de modelo, também foi rebatizado, passando a se chamar Copa América. A intenção inicial era a de que fosse disputada a cada quatro anos, tal qual o Mundial, e sempre um ano depois deste. Também deixou de ter sede fixa, com cada seleção atuando como mandante e visitante. Tais características perdurariam até a edição de 1987.

A reformulação parece não ter convencido à Confederação Brasileira, que mais uma vez não enviou o seu time principal para representar o país. Sem sua força máxima, o Brasil foi representado por uma "Seleção Mineira", sendo quase que inteiramente um "Combinado Cruzeiro - Atlético Mineiro". A Seleção Brasileira com sua força máxima não entrou em campo nenhuma vez ao longo de 1975!

Na 1ª Fase eram três grupos de três, com o Uruguai, como campeão de 1967, entrando direto na semi-final, para a qual também se classificariam apenas os vencedores de cada grupo. O da Seleção Brasileira era o mais difícil, já que reunia a Brasil e Argentina, sendo o outro participante a Venezuela, que fazia tão só a sua 2ª participação na competição, tendo a primeira sido na edição anterior, de 1967.

O combinado mineiro comandado por Brandão obteve duas vitórias sobre a Argentina. No Mineirão, o destaque ficou para o lateral-direito Nelinho, que marcou os dois gols da vitória brasileira. A outra vitória foi como visitante, por 1 a 0, com gol marcado por Danival. Contra os venezuelanos: 4 a 0 em Caracas, e 6 a 0 no Mineirão, partida para a qual a expectativa era por uma goleada ainda maior, dado que os argentinos os tinham vencido por 11 x 0 em Buenos Aires. Era uma campanha bastante satisfatória até ali da Seleção Brasileira!

Para a disputa das semi-finais o adversário era o Peru. O primeiro jogo foi no Mineirão. Aquela Seleção Peruana, que havia eliminado à Argentina nas Eliminatórias de 1969 e feito uma boa campanha na Copa do Mundo de 70, quando chegou à semi-final, estava repleta de bons jogadores, como o zagueiro Chumpitaz, seu camisa 10 Teófilo Cubillas, e o ponta Oblitas. Brandão reforçou o time brasileiro com duas jovens promessas: o meia Geraldo, do Flamengo, e o atacante Roberto Dinamite, do Vasco.

Os peruanos obtiveram um esplêndido resultado no Brasil, vencendo por 3 a 1, com direito a um golaço de falta feito por Cubillas. Um resultado muito ruim! Naquele estádio, em Belo Horizonte, um resultado pior do que o daquela noite só viria no acachapante e histórico 7 a 1 da Copa do Mundo de 2014, 40 anos depois. Só restava à Seleção Brasileira buscar sua classificação para a final em Lima. E na capital peruana, o Brasil reagiu, conseguindo fazer 2 a 0, com um gol contra marcado por Julio Meléndez, e outro marcado pelo centroavante Campos, do Atlético Mineiro. Com este resultado, as duas equipes empatavam em todos os critérios.

O regulamento não previa um critério de desempate e sequer prorrogação. A solução foi insólita, beirando o inacreditável para um jogo de futebol profissional: ao apito final, o árbitro chamou os capitães dos dois times para o centro do campo, pois a vaga à final seria decidida num "cara ou coroa", jogando-se uma moeda para o alto. Era o que estava previsto no regulamento. O sorteio foi levado adiante pela filha do então presidente da Confederação Sul-Americana, o peruano Teófilo Salinas.

A moeda foi lançada ao ar e... deu Peru, sorteado para decidir o título continental contra a Colômbia, que havia superado ao Uruguai na outra semi-final. O Brasil estava eliminado. Na final, vitória dos colombianos por 1 a 0 em Bogotá, e reação peruana em Lima por 2 a 0. Até a Conmebol achou demais que um título fosse decidido novamente num "cara ou coroa", por isso foi marcado um terceiro jogo em campo neutro, em Caracas, na Venezuela. Após vitória por 1 a 0, a geração de Cubillas deu ao Peru o título da Copa América de 75.

Mais uma vez, a conquista do título sul-americano esteve ao alcance das mãos, mas o Brasil desperdiçou a oportunidade ao não utilizar a seus principais jogadores, jogando fora mais uma possibilidade de título continental.




Convocação
Goleiros: Raul Plassmann (Cruzeiro), Careca (Atlético Mineiro) e Waldir Peres (São Paulo)
Laterais: Nelinho (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro)
Zagueiros: Vantuir (Atlético Mineiro), Amaral (Guarani), Luís Pereira (Palmeiras) e Miguel (Vasco)
Meio de campo: Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro), Marcelo Oliveira (Atlético Mineiro), Wilson Piazza (Cruzeiro), Zé Carlos (Cruzeiro), Dirceu Lopes (Cruzeiro) e Geraldo (Flamengo)
Ataque: Roberto Batata (Cruzeiro), Palhinha (Cruzeiro), Joãozinho (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro), Reinaldo (Atlético Mineiro), Romeu Evangelista (Atlético Mineiro) e Roberto Dinamite (Vasco)




Campanha

30/07/1975 - BRASIL 4 x 0 VENEZUELA
Local: Estádio Olímpico, Caracas, Venezuela
Gols: Romeu Evangelista (2'1T), Danival (5'2T), e Palhinha (37'2T) e (43'2T)

Brasil: Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Vantuir (Atlético Mineiro), Wilson Piazza (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro) e Marcelo Oliveira (Atlético Mineiro) (Reinaldo (Atlético Mineiro)); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) (Palhinha (Cruzeiro)) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro).
Téc: Osvaldo Brandão
Venezuela: Omar Colmenares (Valencia), Omar Ochoa (Portuguesa), Pedro Castro (Deportivo Galicia) (Néstor Vásquez (Deportivo Italia)), Luis Marquina (Portuguesa) e Orlando Torres (Deportivo Italia); Delman Useche (Deportivo Galicia), Miguel Rivas (Estudiantes de Mérida) (José Acurzio (Deportivo Portugues)) e Luis Mendoza (Deportivo Galicia); Richard Páez (Estudiantes de Mérida), Iván García (Estudiantes de Mérida) e Ramón Iriarte (Deportivo Italia).
Téc: Walter Roque


06/08/1975 - BRASIL 2 x 1 ARGENTINA
Local: Estádio Mineirão, Belo Horizonte
Gols: Asad (11'1T), e Nelinho (31'1T) e (10'2T)

Brasil: Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Amaral (Guarani), Wilson Piazza (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro) e Marcelo Oliveira (Atlético Mineiro) (Palhinha (Cruzeiro)); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) (Dirceu Lopes (Cruzeiro)) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro).
Téc: Osvaldo Brandão
Argentina: Hugo Gatti (Unión Santa Fé), Andrés Rebottaro (Newell's Old Boys), José Luis Pavoni (Newell's Old Boys), Daniel Killer (Rosario Central) e Rafael Pavón (Belgrano); Américo Gallego (Newell's Old Boys), Osvaldo Ardiles (Huracán) (Mario Zanabria (Newell's Old Boys)) e Mario Kempes (Rosario Central); Julio Asad (Vélez Sarsfield), Ramón Bóveda (Rosario Central) (Jorge Valdano (Newell's Old Boys)) e Leopoldo Luque (Unión Santa Fé).
Téc: César Luís Menotti


13/08/1975 - BRASIL 6 x 0 VENEZUELA
Local: Estádio Mineirão, Belo Horizonte
Gols: Roberto Batata (6'1T), Nelinho (9'1T), Danival (37'1T), Campos (8'2T), Palhinha (20'2T) e Roberto Batata (34'2T)

Brasil: Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Amaral (Guarani), Luís Pereira (Palmeiras) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro) e Marcelo Oliveira (Atlético Mineiro) (Palhinha (Cruzeiro)); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro) (Joãozinho (Cruzeiro)).
Téc: Osvaldo Brandão
Venezuela: Andrés Arizaleta (Portuguesa), Omar Ochoa (Portuguesa), Delman Useche (Deportivo Galicia), Luis Marquina (Portuguesa) e Orlando Torres (Deportivo Italia); Alejo González (Deportivo Galicia), José Acurzio (Deportivo Portugues) e Ramón Iriarte (Deportivo Italia); Luis Mendoza (Deportivo Galicia), Miguel Rivas (Estudiantes de Mérida) (Rubén Torres (Deportivo Anzoátegui)) e Richard Páez (Estudiantes de Mérida).
Téc: Walter Roque


16/08/1975 - BRASIL 1 x 0 ARGENTINA
Local: Estádio Arroyito, Rosario, Argentina
Gol: Danival (45'1T)

Brasil: Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Amaral (Guarani), Luís Pereira (Palmeiras) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro) e Palhinha (Cruzeiro); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro) (Reinaldo (Atlético Mineiro)).
Téc: Osvaldo Brandão
Argentina: Hugo Gatti (Unión Santa Fé), Andrés Rebottaro (Newell's Old Boys), José Luis Pavoni (Newell's Old Boys), Daniel Killer (Rosario Central) e Mario Killer (Rosario Central); Américo Gallego (Newell's Old Boys), Osvaldo Ardiles (Huracán) (Julio Asad (Vélez Sarsfield)) e Mario Kempes (Rosario Central); Mario Zanabria (Newell's Old Boys), Ramón Bóveda (Rosario Central) e Leopoldo Luque (Unión Santa Fé).
Téc: César Luís Menotti


30/09/1975 - BRASIL 1 x 3 PERU
Local: Estádio Mineirão, Belo Horizonte
Gols: Casaretto (19'1T), Roberto Batata (9'2T), Teófilo Cubillas (37'2T) e Casaretto (43'2T)

Brasil: Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Miguel (Vasco), Wilson Piazza (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Geraldo (Flamengo) (Zé Carlos (Cruzeiro)) e Palhinha (Cruzeiro); Roberto Batata (Cruzeiro), Roberto Dinamite (Vasco) (Reinaldo (Atlético Mineiro)) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro).
Téc: Osvaldo Brandão
Peru: Ottorino Sartor (Universitario), Eleazar Soria (Independiente/ARG) (José Navarro (Sporting Cristal)), Héctor Chumpitaz (Atlas/MEX), Toribio Díaz (Sporting Cristal) e Santiago Ojeda (Alianza Lima); Alfredo Quesada (Sporting Cristal), Julio Meléndez (Juan Aurich) e Teófilo Cubillas (Porto/POR); Oswaldo Ramírez (Universitario), Enrique Casaretto (Sporting Cristal) e Juan Carlos Oblitas (Elche/ESP).
Téc: Marcos Calderón


04/10/1975 - BRASIL 2 x 0 PERU
Local: Estádio Alejandro Villanueva, Lima, Peru
Gols: Meléndez (contra, 10'1T) e Campos (16'2T)

Brasil: Waldir Peres (São Paulo), Nelinho (Cruzeiro), Vantuir (Atlético Mineiro), Wilson Piazza (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Zé Carlos (Cruzeiro) e Geraldo (Flamengo) (Palhinha (Cruzeiro)); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) (Roberto Dinamite (Vasco)) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro).
Téc: Osvaldo Brandão
Peru: Ottorino Sartor (Universitario), Eleazar Soria (Independiente/ARG), Héctor Chumpitaz (Atlas/MEX), Julio Meléndez (Juan Aurich) e Toribio Díaz (Sporting Cristal); Alfredo Quesada (Juan Aurich), Percy Rojas (Universitario) e Teófilo Cubillas (Porto/POR); Oswaldo Ramírez (Universitario) (Santiago Ojeda (Alianza Lima)), Enrique Casaretto (Sporting Cristal) e Juan Carlos Oblitas (Elche/ESP) (Anselmo Ruiz (Unión Huaral).
Téc: Marcos Calderón



Resumo

Seleção Brasileira:
Raul (Cruzeiro), Nelinho (Cruzeiro), Vantuir (Atlético Mineiro) (Amaral (Guarani)), Wilson Piazza (Cruzeiro) e Getúlio (Atlético Mineiro); Wanderley Paiva (Atlético Mineiro), Danival (Atlético Mineiro) e Palhinha (Cruzeiro); Roberto Batata (Cruzeiro), Campos (Atlético Mineiro) e Romeu Evangelista (Atlético Mineiro).

Artilharia: Roberto Batata (3), Nelinho (3), Palhinha (3), Danival (3), Campos (2), Romeu Evangelista (1) e 1 gol contra

Participação:
6 jogos: Nelinho, Getúlio, Wanderley Paiva, Palhinha, Roberto Batata e Romeu Evangelista
5 jogos: Raul Plassmann e Campos
4 jogos: Wilson Piazza e Danival
3 jogos: Amaral, Marcelo Oliveira e Reinaldo
2 jogos: Vantuir, Luís Pereira, Zé Carlos, Geraldo e Roberto Dinamite
1 jogo: Waldir Peres, Miguel, Dirceu Lopes e Joãozinho